quinta-feira, 2 de junho de 2011

PRECONCEITO CAMUFLADO

O programa jornalístico Conexão Repórter da noite de ontem (01/06/2011) abordou um problema que, infelizmente, ainda se faz assaz vigente na sociedade brasileira: o preconceito racial. Problema esse que foi esquecido, em geral, pelas autoridades públicas, ao passo que os debates sobre essa seara foram enfraquecidos pela irreal afirmação de que o racismo está sendo suprimido de forma corriqueira.

Venho contestar essa afirmação mediante outra: o preconceito racial não está sendo extinto da sociedade, mas o que está havendo é apenas uma camuflagem dessa triste realidade que possui raízes históricas. Desde a implantação da escravidão, no Período Colonial, que o negro tem sido tratado como um ser inanimado, como alguém que por natureza própria é inferior ou como um instrumento de trabalho. Hoje, já se fala de certa evolução no combate ao racismo; de fato, não se pode negar que a realidade hodierna é menos dolorosa do que a anterior.

O artigo 5º da Constituição Federal de 1988 defende que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, (...) garantindo-se (...) a inviolabilidade do direito (...) à igualdade (...)”. Sabe-se que é conhecida como Constituição Cidadã justamente por garantir a dignidade da pessoa humana em toda sua extensão. Na mesma, também está redigido que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão, nos termos da lei” no artigo XLII. Portanto, é evidente que a lei discrimina o preconceito racial, no entanto, a lei não reflete a sociedade em sua totalidade.

Ações que traduzem o preconceito é frequentemente relatado no dia a dia social, assim, não basta apenas o reconhecimento de direito do racismo como crime, mas o que realmente necessita-se é de um reconhecimento de fato. A camuflagem desse tipo de discriminação é prejudicial ao desenvolvimento moral da sociedade, o que se vê é uma extrema hipocrisia ao afirmar que o preconceito é, atualmente, minoria. Diante disso, não adianta esconder o problema e fingir sua inexistência, uma vez que é uma atitude errônea por não extingui-lo corretamente.

É mediante uma educação moral que o preconceito racial poderá ser suprimido com veemência, atividade essa que deveria ser iniciada nos primórdios do desenvolvimento humano, ou seja, na infância, através na união da família, da escola e do poder público em geral.

Medidas afirmativas desenvolvidas pelo setor administrativo constituem no seu embasamento a ideologia de que servem para diminuir a segregação de negros nas universidades e no mercado de trabalho. Mesmo que seja uma medida que esteja proporcionando resultados relativamente satisfatórios, não consiste em uma atitude definitiva, mas apenas algo paliativo, ao passo que o negro será verdadeiramente incluído no meio social mediante a extinção do preconceito através do método educacional, tendo como foco a moral e a ética.

É inadmissível verificar que em um país que mostrou um grande desenvolvimento econômico, uma das dez maiores economias do mundo, social e cultural, um país que chegou a aprovar o casamento homossexual, que reconhece os direitos das mulheres e dos negros; ainda possuir nas suas entranhas resquícios bastante evidentes de preconceitos originários em uma época que o conceito de cidadania ainda nem era cogitado.

Grupos de extermínios de negros, vergonhosamente, compõem a sociedade mundial, realidade essa que demonstra um retrocesso contemporâneo, demonstra ainda a ineficácia da proteção dos direitos humanos, da igualdade como elemento de discurso desses, além da utopia representada pelas constituições democráticas.

Foi exposto no decorrer do programa inicialmente citado o caso de Simone, uma empregada doméstica, de cor negra, que foi rejeitada quando procurava emprego devido à exigência de uma pessoa branca para ocupar o cargo de empregada. Ela entrou com o pedido na justiça de crime de racismo, pedido esse que foi negado pelo juiz ao afirmar que ela não tinha sofrido preconceito. No entanto, Simone recorreu à justiça da Organização dos Estados Americanos que, por sua vez, julgou procedente o crime de racismo, e, pela primeira vez na história, um país foi responsabilizado por não punir o crime de racismo.

O fato de uma mulher ter que procurar a justiça internacional para ter seus direitos assistidos, uma vez que a sua pátria não os proporciona eficazmente, demonstra claramente a inércia do poder público para com a realidade mostrada. País esse que se julga com uma democracia avançada e de alta qualidade, sendo esmagada por uma realidade medíocre e vergonhosa.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

EM FAVOR DA MINORIA!

Na quinta-feira, no dia 5 de Maio de 2011, o Supremo Tribunal Federal alargou a atuação da democracia ao permitir a união matrimonial civil para os casais homossexuais, minoria que representa uma quantidade significativa na nação brasileira.

Sabe-se que a homossexualidade sempre foi um fato pertencente à sociedade. Conforme os escritos históricos, na Antiguidade era considerada uma realidade corriqueira, eram comuns os homens, além de relacionar-se com suas esposas, para garantir a perpetuação da sociedade, manter relações com os companheiros de guerra ou de política. Eram comuns também os homens do exército passarem muito tempo nos campos de guerra ou em treinamento, os quais os isolavam da sociedade como um todo, favorecendo o surgimento de relações homoafetivas no seu interior.

Só a partir do surgimento do cristianismo que a homossexualidade passou a ser recriminada, pois a igreja implantou certo moralismo na sociedade que favoreceu o preconceito e a intolerância a qual, por sua vez, não se restringiu apenas a sexualidade, mas englobou as religiões, as condutas etc.

No entanto, em pleno século XXI, tempo em que os desenvolvimentos tecnológicos e sociais afloram com assiduidade, consiste em um retrocesso em insistir em fomentar um preconceito medieval. Não se pode negar que a homossexualidade é parte da sociedade contemporânea, não podendo assim restringir direitos a essa classe com base em teorias religiosas.

Convém lembrar que a democracia (demo=povo; cracia=poder) tem em seu significado semântico a sua função social, tornar o povo dono do poder e, assim, beneficiá-lo com direitos sociais. Portanto, os homossexuais possuem direitos tanto quanto os heterossexuais, ao passo que a democracia, outrossim, possui o dever de preservar os direitos e as necessidades das minorias.

O artigo 5º da Constituição Federal afirma que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, (...)”, artigo esse que tonar evidente a inconstitucionalidade da diferenciação dos homens. Ainda é correto afirmar que a escolha da opção sexual é um direito individual e personalíssimo, devendo ser respeitado de sobremaneira.

O que o STF fez foi prescindir o casamento como base familiar, além de negar que este é formado pelo matrimônio de um homem com uma mulher, ao passo que a família pós-moderna tem adquirido uma formação mais complexa e diversificada, distinguindo- a da formação clássica, visto que há famílias compostas apenas pela mãe, outras apenas pelo pai, podendo também haver famílias formadas por pessoas do mesmo sexo.

O fato é que não há nada que impeça, hoje, a garantia dos mesmos direitos assegurados aos heterossexuais serem também assegurados aos homossexuais, como pensão, indenização enfim. O STF, além de ter fomentado a inclusão das minorias homossexuais, tonando esses mais seguros e iguais diante do ordenamento jurídico brasileiro, afirmou também que não há mais espaço para o preconceito ou intolerância em uma sociedade marcada pela sua diversidade.

Vale salientar ainda que os homossexuais têm contribuído bastante para a economia, segundo pesquisas feitas esse ano, são eles os que mais leem no Brasil, fazendo o mercado investir de forma intensa nesses consumidores, fato esse que não pode negar a relevância desses na sociedade brasileira.

Não é apenas, porém, uma questão econômica ou jurídica, é também uma questão de educação moral a fim de suprimir a moral baseada na hipocrisia que vigora desde os tempos medievais, além de implantar uma moralidade alicerçada na realidade, na solidariedade, na igualdade e na tolerância que beneficia e facilita a convivência social, dando, assim, a moral um caráter mais real e verídico, ao passo que aceita as diversidades sociais.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

MORRE O NÚMERO UM DO TERRORISMO!

No dia 2 de Maio de 2011, o presidente dos Estados Unidos Barack Obama anunciou a morte de Osama Bin Laden, considerado o número 1 da organização fundamentalista Al Qaeda e o terrorista mais procurado em nível mundial.

Há cerca de dez anos, as Forças Armadas dos EUA iniciaram uma caçada a fim de capturar o líder terrorista em resposta aos ataques às Torres Gêmeas e a morte de milhares de americanos vítimas dessas atrocidades, em 11 de Setembro de 2001, como explica o atual presidente nestas palavras: "Foi há quase 10 anos que um brilhante dia de setembro foi obscurecido pelo pior ataque contra o povo americano em nossa história”.

Diante disso foi iniciada a Guerra Contra o Terror pelo então presidente da época George W. Bush, no entanto, quase uma década depois, foi localizado o paradeiro do radical islâmico, a qual fomentava a ideologia da Jihad- Guerra Santa- no Paquistão, mas precisamente em uma mansão na cidade de Abbotabad. Conforme o governo americano, há quase oito meses chegou ao governo a informação de onde Osama estaria escondido e, aproximadamente, na noite de sábado para domingo, Barack Obama autorizou a operação que visava não apenas capturar, mas segundo um informante do governo norte-americano não identificado a ordem era matar o terrorista.

Ainda segundo o governo, mais três pessoas morreram no tiroteio que durou em média 40 minutos, inclusive o filho de Bin Laden. Barack Obama deixou assaz evidente que “os Estados Unidos não estão - e nunca estarão - em guerra contra o Islã” e que “Bin Laden não era um líder muçulmano; ele era um assassino em massa de muçulmanos”.

Vale salientar que os Estados Unidos têm sido ovacionados por diversas nações, como Austrália, Inglaterra e Itália, além de tornar relevante a segurança desses países, uma vez que a Al Qaeda ainda vigora mesmo com a execução do seu líder, podendo assim provocar atos de revanches mediante o terror.

De fato, esse dia vai ser, e está sendo, considerado um dia histórico, o dia em que os Estados Unidos conseguiram honrar os quase três mil mortos há dez anos no episódio já citado mediante a morte de alguém poderoso o bastante para desestruturar a nação considerada mais consistente do mundo, país esse que é visto como um grande defensor dos Direitos Humanos, vocês devem estar se perguntando o que os Direitos Humanos têm a ver com isso, simplesmente pela violação da dignidade, fundamento desses direitos, feita pelo exército americano, juntamente com a marinha, neste episódio tão esperado e comemorando com tanta euforia pelos norte-americanos.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

DOR DE COTOVELO

O coração dispara
As mãos tremem
A boca seca
A vida para

As rugas aparecem
A atenção ascasseia
Os nós atam
E a garganta invadem

A razão enfraquece
A pele sua
O medo aflora
A cor empalidece

A boca enrijece
A atitude cala
As pernas morrem
E a dúvida aparece

O telefone não toca
A ansiedade enche o peito
A insônia acompanha
A inquietude que incomoda

O peito sufoca
Os nós crescem
O desespero "chega junto"
O ar desaparece

A solidão intimida
A fala que emudece
O dia aumenta
E a noite padece

A dor cresce
Os pulmões de incertezas incham
O claro escurece
O indivíduo segura
A lágrima que desce.

domingo, 17 de abril de 2011

O MONSTRO DO REALENGO?

O mundo inteiro assistiu à lamentável tragédia que ocorreu na escola do Rio de Janeiro, mais precisamente no Bairro do realengo. O rapaz que se denominava Wellington Menezes de Oliveira entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, na zona oeste do Rio, no dia 7 de Abril de 2011, e praticou a primeira chacina da história da República Federativa do Brasil tendo um lar educacional como palco. Fato esse que resultou em 12 crianças mortas e inúmeras famílias assustadas, abrigando a dor da insegurança e do desespero.

Conforme a mídia e os noticiários, juntamente com depoimentos da família do autor da barbárie, dá a entender que esse sofria de uma doença chamada esquizofrenia, mazela que provoca alucinações, fazendo o indivíduo confundir o real com a fantasia. No entanto, além de ser portador da esquizofrenia, o jovem afirmou em vídeos caseiros que sofreu provocações e humilhações quando fazia parte do corpo discente dessa instituição educacional.

Esse fato- que abalou o Brasil e estampou capas de jornais do mundo inteiro- reavivou as discussões sobre bullying na sociedade, tema esse que é vivido na prática por muitas crianças que, consecutivamente, sofrem em ter sua dignidade violada todos os dias em um local que deveria ser exemplo de respeito e educação. O irônico é perceber que a mesma sociedade que pratica essa violência também a sofre, no caso da escola do Realengo, a criatura agiu contra o criador, ou seja, a sociedade que criou o monstro foi abalada demasiadamente por ele. Quantos monstros a sociedade não criou quando negou assistência necessária para um determinado grupo de pessoas? Os altos índices de criminalidade respondem a essa pergunta.

Vale salientar que mais uma vez o país pobre imita os países ricos, considero isso ainda como um processo de “aculturação”, fenômeno esse que difunde a cultura dos mais poderosos a qual as mais frágeis absorvem, visto que nossos noticiários informavam com freqüência casos como esse em países estáveis econômico e socialmente, como os Estados Unidos, sendo a primeira vez que ocorre em um país com estabilidade menor.

Diante de tudo isso será que o monstro do realengo é mesmo um monstro? Ou é apenas um reflexo da uma sociedade que não assiste seus componentes de forma adequada? O fato é que o meio social mostra-se com uma morosidade eterna e mesmo sendo palco de tragédias como essa, reluta em acordar e deixar de ser sujeito reflexivo na sua própria história, pois a chacina do realengo é mais um episódio de um “espetáculo” que parece não querer fechar as cortinas.